Oxalá pudéssemos ter o tempo todo a voz deste Príncipe Negro [refere-se a Emílio Santiago, que também está presente] ressoando nos nossos corações, encantando os nossos espíritos e nos enviando imediatamente a paisagens lindas de muitas sensações e emoções…
Emílio, meu irmão de alma, segue produzindo em todos nós que, de fato, estamos abertos a nos sensibilizar, estas profundas catarses da alma. Emílio canta e há uma quase hipnose, tudo em volta se apaga, e mergulhamos nos nossos registros pessoais. Ele maneja a arte da interpretação vocal com esta maestria absoluta: não nos apresenta apenas emoções, mas maneja, rege as palavras em tons e nuances, melodias vocais tão variadas, cuja hipnose profícua nos terapeutiza os desajustes. ‘Sem querer’, nos faz desejar ser melhores… a mim, fazia e faz! Eu canto Emílio em mim como quem canta uma ode ao Sol, à vida!
É claro que ele também segue por estas paisagens diversas, levando remédios através do seu canto, nos cantos mais difíceis, sejam eles locais (extra)físicos ou recantos áridos dos irmãos em sofrimento, desalento, dureza. É o que muitos de nós seguimos fazendo, cara amiga [refere-se a muitos cantores famosos desencarnados].
A vida na Terra-matéria anda dura, não é mesmo? Mas, cabida e extremamente necessária para irmos nos amaciando em nós mesmos, reconstruindo valores, focalizando melhores olhares, nos amparando em humanidade. Ainda mais em tempos tão presentes de desmantelo emocional, coletivo-social. Da expansão, em plena propagação contínua, do medo. Das próprias inseguranças, a material, a da manutenção da saúde física, mental de todo um povo… Do meu povo.
E eu seguirei daqui, e de onde estiver, lutando por ele, pela humanidade, pelo ser humano. Na forma de poesia, de letras, de canção. Dando o meu coração, o peito largo’, de coragem quente, de vontade firme em amar, que é pra a gente organizar a educação da ignorância e implantar a consciência coletiva da semelhança, nos desarmando das frias armas da inimizade que nos impuseram nas mãos, enquanto olhávamos para o outro lado (distraídos pela fome, miséria, doenças e dores…). Quem tem fome física é facilmente manipulado na sua amargura.
Os insaciáveis da ignorância, cupidez, avidez, violência seduziram as mentes desocupadas, vazias de saberes que propõem a autonomia empática, escravizando-as e subjugando-as enquanto seus estômagos ardem, seus corpos exauridos gritam, seus bolsos diminuem, seus corações secam…
Sabe, hoje é preciso muita cabeça no lugar para poder avaliar. Para ter a cabeça boa e não se distanciar de si. Para ter sempre a lucidez de, independentemente das dinâmicas externas, das correntes de pensamento tão opostamente diversas, saber se recolher, sem se influenciar a ponto de se desqualificar, anular a identidade, a personalidade, a voz.
Hoje, encontrar uma linha de realidade, de fato-verdade em meio a tudo o que é produzido para enganar, distrair, é como encontrar uma agulha no palheiro. É como tentar diferenciar um ponto de luz no longínquo horizonte das noites mais escuras sendo míopes, deseducados da realidade astral maior.
Mas estamos aqui para, aos pouquinhos, vez por vez, quantas forem necessárias, nos expressar… ‘tocar’ as nossas músicas educativas para auxiliar a quem realmente queira mudar de perspectiva.
Vencer um embate verbal pode ser apenas mascarar a feiura da nossa realidade íntima, que precisa vencer alguma coisa fora de nós para que a gente não se sinta tão pequeno(a), tão lixo… Então, a derrota do outro perante as minhas argumentações me salva. O outro é instrumento dessa crença rasa.
E por que raios é que nós fazemos isso, de modo tão animalizado, desequilibrado, deselegante, na maioria das vezes?!? Porque a gente precisa acreditar que está correto!
E, para isso, nos damos as mãos, as vozes, a plena ousadia, uns vão dizer.
É preciso ousadia no amor, irmãos! É preciso ousadia no amor! Na comunhão das dores, entraves, e na força que nos leva ao socorro mútuo!
Ousemos amar!
Tenhamos todos essa ‘diplomacia compassiva’, este lugar admitido de dor comum, que nos fará unir as legítimas vontades (chamem de corações, almas!) e nos resgatar, fraternalmente, nos utilizando como degraus únicos, essenciais que se alternam em necessidade e importância, na subida deste abismo, que nos propôs a varredura das sombras, rumo aos céus do companheirismo coletivo, do amor social, do voo individual à felicidade, sorrindo largo para nós e por nós, e por todo o próximo!
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